Iniciação à Ciência

Terça-feira, 11 de março de 2008



Continuação da aula de 5/3

O conhecimento intelectual é o desdobramento do conhecimento sensorial. A partir deste, compomos aquele. Nos estágios iniciais da vida do homem, ele e o animal estão no mesmo patamar. O homem constrói seu conhecimento com os sentidos, já o animal não passa dessa fase, não compõe um conhecimento intelectual. Por isso a parte sensorial dos animais é, em geral, mais acurada.

CIÊNCIA E CONHECIMENTO

A ciência começa sempre com a observação dos fatos, depois parte para a demonstração deles, visando chegar às mesmas conclusões quando o procedimento for repetido; a conclusão deve poder ser replicada por outros experimentadores para que isso se enquadre como conhecimento científico.
A grande preocupação da ciência é a CONCLUSÃO GERAL.
O homem age e reage muito mais em função de aspectos emocionais do que racionais. Mesmo os grandes planos "maquiavélicos", traçados passo-a-passo por calculistas de sangue frio, têm a emoção como motivação primeira.

DIFERENTES MODOS DE CONHECER:

O conhecimento científico não é a única forma de se chegar à verdade. Ele se realiza essencialmente na universidade, local onde a sociedade não tem acesso regular.
Apesar de isolado, o conhecimento é um dos caminhos para se chegar à VERDADE.
Verdade: aquilo que retrata uma realidade tal como ela é.

CONHECIMENTO VULGAR: EMPÍRICO, ou seja, obtido pela observação dos fatos, sem questioná-los. Passado de geração em geração. É pré-crítico, espontâneo. O conhecimento do povo é o conhecimento vulgar.

Diferenças entre o conhecimento científico e o conhecimento vulgar: ambos iniciam com a observação, mas o primeiro busca suas causas, o segundo não. Grande parte do conhecimento científico tem origem no conhecimento vulgar: quando a necessidade ou a curiosidade motiva o homem, ele busca a causa dos fenômenos e começa a estudá-los de forma sistematizada. O conhecimento científico é regido pela CAUSALIDADE: procura a causa. O vulgar é regido pela CASUALIDADE, de casual. Ele segue a causa e não é necessariamente público, podendo ficar restrito apenas a determinados grupos, tribos, famílias ou culturas. Já o científico TEM que ser publicado e analisado pela comunidade científica antes de ser considerado válido; a credibilidade do autor deve ser posta em teste.

Conhecimento científico: expressão ideológica e de respeitabilidade. Quando algo é provado cientificamente, inicia-se um esforço para manter tal ideia na posição de mais correta, ou dominante. Uma ideia falsa pode ser cientificamente provada. Exemplo: o "Éter", que seria a substância que preencheria todo o universo, através da qual a luz do Sol e todas as demais ondas eletromagnéticas se propagariam. Foi aceita como verdadeira durante os séculos XVII, XVIII e XIX até que fosse provado inexistente por Einstein em 1905.

O conhecimento vulgar é regido pelo costume, pelo espalhamento de boca em boca. Pais ensinam aos filhos, os filhos contam para os vizinhos, um deles publica em seu blog e mais pessoas terão acesso a ele. Também é importante notar o caso dos conhecimentos vulgares dos indígenas: eles sabem perfeitamente o que fazer em caso de acidentes ou ferimentos: procuram determinada erva, misturam-na a uma folha de uma árvore exótica e passam no ferimento. No entanto, o que funciona para um indivíduo pode não funcionar para outro pois não se tem, pelo conhecimento vulgar, a base necessária para entender a causa dos resultados e então se chegar ao "denominador comum". Obs: conhecimento popular não é sinônimo de erro.

Ao levarem a comentada erva para o laboratório, saberão, depois de analisá-la crítica e experimentalmente, suas utilidades, com o que combinam, qual o princípio ativo e em que condições ela serve melhor. Em seguida o coordenador da pesquisa publicará um artigo em seu nome ou de sua equipe em qualquer meio de divulgação científica, como a revista Nature, e tal conhecimento passará a ser considerado conhecimento científico. O crédito irá todo, é claro, para o pesquisador, e nada será publicamente atribuído ao índio que fora observado, no princípio de tudo, usando a erva para fins medicinais.